Seis pontos mostram como a tecnologia será fundamental para empresas se adaptarem à Reforma Tributária
Publicado em 28 de agosto de 2026
Brasil | Jornal ContábilA Reforma Tributária vai mudar muito mais do que a forma como as empresas calculam e recolhem impostos. A nova lógica de tributação terá reflexos sobre preços, margens, custos, fluxo financeiro, sistemas e decisões estratégicas, obrigando organizações de todos os portes a rever processos, integrar informações e utilizar a tecnologia para entender os impactos sobre o negócio.
Durante a transição para o novo modelo, a criação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) exigirá adaptações que ultrapassam os departamentos fiscal e contábil. Áreas como financeiro, comercial, controladoria, tecnologia e planejamento também precisarão acompanhar as mudanças e trabalhar de forma integrada para evitar distorções e reduzir riscos.
Nesse cenário, a tecnologia tende a deixar de ser apenas uma ferramenta operacional e assumir papel estratégico. Sistemas atualizados, inteligência de dados e ferramentas capazes de realizar simulações poderão ajudar as empresas a antecipar impactos, comparar cenários e tomar decisões com maior segurança durante o período de transição.
Para Richard Domingos, diretor executivo da Confirp Contabilidade,a principal mudança será justamente a necessidade de analisar cada empresa individualmente. “A grande dúvida dos empresários não será apenas qual será a carga tributária final, mas como a nova tributação afetará o resultado do negócio. Empresas do mesmo segmento poderão ter impactos completamente diferentes, dependendo da estrutura de custos, do aproveitamento de créditos tributários, do perfil dos clientes e da forma como operam. Não haverá respostas padronizadas; será preciso simular cenários para cada realidade”, afirma.
Segundo o executivo, essa mudança também amplia o papel da contabilidade dentro das empresas. “O contador deixa de atuar apenas no cumprimento das obrigações fiscais e passa a participar das decisões estratégicas das empresas. O empresário precisará de apoio para entender impactos financeiros, avaliar riscos e definir os melhores caminhos antes que as mudanças ocorram.”
Diante desse cenário, seis pontos mostram como a tecnologia poderá ser fundamental para que as empresas se adaptem à Reforma Tributária:
1. Atualização dos sistemas para acompanhar as novas regras
A regulamentação da Reforma Tributária continuará demandando acompanhamento das empresas nos próximos anos, especialmente em relação às normas complementares, parâmetros operacionais e adequações dos documentos fiscais eletrônicos.
Softwares fiscais, ERPs e plataformas de gestão precisarão incorporar novos campos, regras de cálculo e exigências relacionadas ao IBS e à CBS para garantir maior segurança nas operações e evitar inconsistências no cumprimento das obrigações.
Mais do que simplesmente atualizar sistemas, será necessário contar com soluções que acompanhem a evolução da legislação e permitam que as informações tributárias sejam incorporadas aos processos da empresa de forma rápida e confiável.
2. Simulação de cenários para antecipar impactos
Uma das principais necessidades das empresas será entender como a nova tributação poderá afetar cada operação. Formação de preços, aproveitamento de créditos, margem de lucro, custos e competitividade poderão sofrer alterações de acordo com o setor, modelo de negócio e perfil dos clientes.
Por isso, realizar simulações deixará de ser uma atividade pontual e passará a fazer parte da rotina de planejamento. A tecnologia poderá permitir que diferentes cenários sejam analisados com maior velocidade, ajudando empresários a identificar antecipadamente possíveis impactos e ajustar suas estratégias.
3. Transformação de dados em informação estratégica
A quantidade de informações necessárias para avaliar os impactos da Reforma Tributária tornará cada vez mais limitada a tomada de decisões baseada apenas em planilhas ou controles manuais. Empresas precisarão consolidar dados contábeis, fiscais, financeiros e operacionais para gerar análises confiáveis e identificar oportunidades de melhoria.
Segundo Gabriel Capano, CEO da HubCount, empresa de inovação contábil, esse será um dos principais desafios da transição. “A Reforma Tributária exige muito mais do que atualizar sistemas fiscais. Ela exige inteligência para transformar dados em informação estratégica. As empresas precisarão comparar cenários, avaliar impactos e tomar decisões com muito mais rapidez e precisão.”
4. Mais agilidade para avaliar preços, custos e margens
As mudanças tributárias poderão provocar reflexos diretos na formação de preços e na rentabilidade das empresas. Nesse cenário, depender de análises manuais poderá dificultar uma resposta rápida às mudanças.
Ferramentas tecnológicas poderão cruzar informações e mostrar como alterações na tributação podem repercutir sobre custos, preços, margens e resultados. Isso permitirá que empresas tenham mais agilidade para revisar estratégias comerciais e evitar que mudanças tributárias comprometam sua competitividade.
5. Integração entre tecnologia e contabilidade consultiva
A tecnologia também deverá ampliar o papel estratégico da contabilidade. Com dados organizados e informações atualizadas, os profissionais poderão dedicar mais tempo à análise e à orientação dos clientes, em vez de concentrar esforços apenas na coleta e organização das informações.
“A tecnologia organiza os dados, mas é o contador quem transforma essas informações em estratégia para o cliente. Essa combinação será um dos maiores diferenciais competitivos da profissão nos próximos anos”, destaca Gabriel Capano.
Nesse sentido, a tecnologia não substitui a atuação do contador. Ao contrário, cria condições para que o conhecimento técnico seja utilizado de forma mais estratégica, especialmente na avaliação de cenários, identificação de riscos e orientação sobre decisões empresariais.
6. Integração de informações para decisões mais rápidas
Os impactos da Reforma Tributária não ficarão restritos aos departamentos fiscal e contábil. Áreas como financeiro, comercial, controladoria e planejamento precisarão trabalhar de forma integrada para analisar os reflexos das mudanças sobre custos, preços, investimentos e rentabilidade.
A tecnologia poderá ser fundamental nesse processo ao permitir que diferentes áreas trabalhem com informações integradas e atualizadas, reduzindo divergências e facilitando a análise dos impactos sobre o negócio.
Para Richard Domingos, essa visão integrada será essencial para reduzir riscos e aproveitar oportunidades. “A reforma exige que as decisões sejam tomadas com base em informações consistentes e atualizadas. Quanto maior for a integração entre tecnologia, dados e conhecimento técnico, maior será a capacidade das empresas de atravessar esse período de transição com segurança.”
Mais do que possuir sistemas capazes de cumprir as novas exigências fiscais, as empresas precisarão utilizar a tecnologia para compreender o que os números significam para o negócio. Nesse cenário, ferramentas de Business Intelligence, integração de dados e simuladores tributários poderão ganhar espaço como instrumentos de apoio à gestão.
Pensando nessa necessidade, a HubCount BI desenvolveu um Simulador da Reforma Tributária integrado aos dados contábeis das empresas. A solução permite realizar simulações comparativas entre o modelo atual e diferentes cenários do novo sistema tributário, avaliando possíveis impactos sobre carga tributária, precificação, aproveitamento de créditos e decisões estratégicas ao longo da transição até 2033.
“Não basta possuir um sistema de Business Intelligence. A plataforma precisa evoluir continuamente para incorporar novas regras, atualizar parâmetros e oferecer análises confiáveis durante todo o período de transição da reforma”, explica Capano.
Na avaliação dos especialistas, a Reforma Tributária marca uma mudança estrutural na forma como empresas utilizam informações para gerir seus negócios. A tecnologia, nesse processo, deixa de ser apenas suporte para o cumprimento de obrigações e passa a ser uma ferramenta de planejamento, análise e tomada de decisão.
O diferencial estará, portanto, na capacidade de integrar tecnologia, dados e conhecimento técnico para antecipar cenários e permitir que as empresas ajustem preços, custos, margens e estratégias ao longo da transição. Quanto maior a capacidade de transformar dados tributários em informação estratégica, maior será a preparação das empresas para atravessar as mudanças com segurança e competitividade.
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